Todos nós sabemos que o comboio do Tua andava devagar, lentamente, quase como um caracol. Mas isso pouco importava, porque enquanto o ronceiro gatinhava pela encosta do vale acima, os passageiros podiam repousar mais placidamente os olhos sobre uma fabulosa paisagem.
Todos nós sabemos também que o devir na região transmontana é lento, que as decisões são lentas, que as infra-estruturas avançam lentamente e que só os mais jovens abandonam rapidamente, e assim que podem, a terra que os viu nascer.
Toda a gente se lembra do alarido que há cerca de oito anos anunciava a constituição de uma empresa, designada “Comboios do Tua” que tinha como principal objectivo a reabilitação da linha de caminho de ferro que de Mirandela desce até junto do rio Douro, em Foz-Tua.
A ideia da criação dessa empresa nasceu de um trabalho de análise do interesse e da viabilidade económica, turística e social que a linha possui ao longo de um traçado que abrange os concelhos de Alijó, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor, Murça e Mirandela.
Na altura, o estudo foi realizado pela SPIDOURO e teve um empenhamento directo de todas as autarquias abrangidas.Contudo, passados que estão 8 anos o projecto continua no papel, sem qualquer aditamento que o possa pôr em prática.
Embora seja do consenso geral dos autarcas que a ideia tem pernas para andar e que a mesma é viável do ponto de vista económico, o Estado parece demonstrar um desinteresse geral, o que só testemunha o generalizado desinteresse que os decisores politico têm para com a região.
José Silvano, Presidente da Câmara Municipal de Mirandela, recorda a proposta de exploração da linha que na sua óptica terá que ser feita em conjunto pelas autarquias, pela CP e pela REFER. Há, por isso, a necessidade de uma intervenção financeira por parte do estado português para que o projecto abandone o papel e seja implementado no terreno.
Mas o desinteresse parece ser generalizado, e desde o tempo em que João Cravinho foi ministro das Obras Públicas Transporte e Comunicações, o projecto ficou estagnado, a ilustrar uma declarada falta de vontade política do Terreiro do Paço para solucionar os problemas com que se debate o interior e em particular a região transmontana.
[10-03-2005] L.P
Enviar um comentário