O Vale da Vilariça, coração agrícola da região do nordeste, está a ser atingido por uma forte seca.
Centenas de agricultores encontram-se sem água para regar.
O mês de Fevereiro e Março é normalmente o período em que se começam a preparar as culturas da colheita de Verão, e os agricultores sentem-se assaltados por uma séria dúvida: “ será que vale a pena semear?”.
A queda de chuva nos próximos tempos vai condicionar o lançamento das sementes à terra, porque” se não chover não vale a pena estar a trabalhar”.
Segundo Fernando Brás, presidente da Junta de Regantes do Vale da Vilariça e director da Associação de Agricultores de Trás-os-Montes, "As duas barragens que actualmente garantem água para rega estão muito abaixo da capacidade". Tanto a barragem da Burga, como a barragem do Salgueiro estão muito abaixo dos seus níveis normais e só poderão garantir a rega das culturas permanentes como é o caso dos pomares.
Fernando Brás, considera que o grande problema causado pela ausência de chuva se deve ao facto de o plano de regadio do Vale da Vilariça ter um atraso de 50 anos, caso esse plano estivesse concretizado toda esta angústia “dificilmente se colocaria”.
A situação é ainda mais agravada pelo facto da Barragem de Santa Justa ainda não estar a funcionar. Embora esta recente obra que integra o plano geral de regadio do vale esteja concluída há mais de um ano, neste momento ainda não funciona porque continua à espera autorização do Instituto Nacional da Água para começar a encher.
Fernando Brás conclui que "Em Portugal as coisas são muito demoradas" e que rezar a S. Pedro já não vale a pena, pois "S. Pedro já nem nos ouve". “Devia haver apoios para Trás-os-Montes e Alto Douro como há para o Alentejo e Ribatejo; não podemos continuar a ser enteados, temos de ser filhos como os outros". Desabafa o presidente da Junta de Regantes do Vale da Vilariça.
[12-02-2005] Luis Pereira
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